06 Dezembro 2009

DO INFERNO AO CÉU

Há um ano atrás, 06 de dezembro de 2008, eu estava voltando para casa, para o meu chão, depois de ter passado um período no inferno.
Até hoje me pergunto como fui me enganar tanto, apesar de todos os avisos que me deram para não ir, que o lugar era bom para passar uns cinco dias, primitivo para quem conhece civilidade e que o normal é que viessem para cá. Mas eu estava enfeitiçada, havia tido uma amostra arquitetadamente montada para me enganar. E, naquele inferno, habitado por uma maioria de pessoas maldosas, interesseiras e semi-analfabetas, que estão vendendo descaradamente pedaços do Brasil aos estrangeiros, pois são preguiçosos quase todos, eu vi o diabo várias vezes.
De praias que nem de longe são as mais bonitas, um sol amarelo escuro, sem aquela claridade luminosa daqui ou do Rio de Janeiro. Falta Bahia naquele lugar! A comida é horrível, somente 22% da Capital tem rede de esgoto, as ruas esburacadas com sujeira escorrendo pelos becos, a miséria o tempo inteiro rondando, ninguém faz nada, não há reação, não se importam. Hospitais sucateados, escolas abandonadas, falta total de higiene em todos os lugares. Fui roubada, assaltada, enganada, lubridiada, humilhada, mal tratada, explorada e abandonada.
Passou. Como eu disse, faz um ano que estou em casa, não sinto mais dor, tudo dá certo, Estou mais bonita, sou sorriso constante, olhos que brilham.
Quero aqui agradecer algumas pessoas que cuidaram de mim no meu pós-trauma e foram primordiais para minha recuperação.

RAFAELLA CAROLINE - Ao meu lado, o tempo inteiro, nunca reclamou. Só amou e segurou a minha mão.
DOUTOR - Nunca deixou de acreditar em mim, mostrou que sempre foi meu melhor amigo. Moveu montanha, realizou o resgate. A melhor pessoa que já conheci!
RACHEL MAUAD - Me avisou antes, viu o demônio mascarado. Fez lembrar quem eu sou quando voltei.
FÁBIA - A excessão! Minha consolação, quem me estendeu a mão.
CLAUDIA - Não me julgou, mesmo podendo.
JOSÉ GUILHERME - Chegou assim, Príncipe encantado, de armadura, matando a bruxa e salvando o Reino. Faz cinco mocinhas se sentirem princesas todos os dias.

04 Dezembro 2009

A BANALIZAÇÃO DO SUICÍDIO

Leila Lopes, que não conseguia de forma alguma ficar sem a consagração da fama relampejante que adquiriu nos anos 90, foi para o pornô; queria ser ela uma musa, a qualquer custo. Mídia, dinheiro, cirurgias plásticas, programas de quinta que são transmitidos diariamente. Leila, linda, defendendo a pornografia com história, começo, meio e fim. Era uma atriz dramática, com veia pulsante, sem dúvida. Tão dramática ela, não conseguiu ver tudo ao seu redor novamente morno, as pessoas se afastarem mais uma vez, o julgamento debochado ficar explícito. Resolveu lutar para virar notícia mas errou na dose e com tanto afinco, conseguiu estar no jornal. Porém eu, como sempre atrasada para escrever, imagino que ela já está enrolando peixe.

Joaquim Roriz, ex e futuro Governador do Distrito Federal - sempre graças a incompetência da oposição - deu um tiro no pé, ou não, vai depender quem vota. Explico: Tinha um funcionário de fala mansa, que administrava todo um antigo e facílimo esquema de propina em troca de obras, péssimos livros e remédios vencidos. Mandou esse funcionário pro Arruda, mas deixou bem claro pro moço que era pra gravar tudo, talvez um dia precisasse, sabe-se lá. Desgovernado Arruda, estuprador confesso de painel eletrônico no Congresso, foi inocentado pelo povo e por essa razão governa o DF. Então, aceitando com afeto o antigo CODEPLAN e pupila do goiano Roriz, o esquema continuou com os democratas, desde que alguns do PMDB não saíssem dele. Oras bolas! Amigo de Roriz que é amigo de verdade continua mamando mesmo a puta sendo outra. Acontece, que por alguma razão inexplicável (pergunte para a Deputada Distrital Eurides Brito, pra mim sei que ela não fala), as gravações foram parar na PF com a desculpa esfarrapada de uma redução de pena (como se alguém nesse país pegasse cadeia por corrupção, hahahaha).
Enfim, acredito que o tiro no pé colocou Roriz na UTI, entubado, porque não anda falando nada. Tentando matar um, pode ele causar a própria morte?
Um respiro talvez para minha terrinha?Justiça feita e inferno feliz, suicídio concluído de Roriz,? Só o povo pra dizer, esse povo que não tem medo de fantasma enquanto tiver bolsa capeta ( com vodca).
E o Arruda? Mortinho! Mas enquanto não enterrar, orações podem ressucita-lo.

24 Novembro 2009

UMA CANECA DE ÁCIDO

Refletindo para escolher a melhor morte, ela se olhou. Que desgraça fez com seus cabelos. Pior, quando fossem ajeitar as madeixas para o velório, não perderiam tempo em escova-los; melhor raspar de vez! Coragem não tinha.

Os olhos nada serenos ainda mantinham um colorido, bem desbotado, sem brilho e vomitando desesperança. Nem salada verde resolvia o caso daquelas duas valas despudoradas. Ainda bem que depois de morta seriam buracos fechados e nada mais. Desceu o sentido até a boca e passando dois dedos nela, certificou-se que estava lacrada. Nada de preocupar-se com gemidos de dor. Não daria mais nada para esse mundo.

Antes de continuar, sentiu um arrepio na alma - não tinha mais corpo. Dela, só restara o espectro.

Olhou para os lados, pensou nos algozes. Conseguiu ouvir gargalhadas futuras de diabos encarnados em capatazes, festejando sua futura morte consentida. Ao voltar-se , não pôde deixar de vislumbrar anjos. Haveria agora de fazer uma escolha.

Desamarrou a corda, desceu da cadeira, sentou-se na cama e enquanto se refazia, imaginava a melhor maneira de matar algumas pessoas. Nem que fosse na unha. Nem que fosse de desprezo. Sentiu-se verdadeiramente naquele instante, inundada de coragem.

Trocou o espelho por um que não distorce.

Hoje, já enterrou tantos que não consegue contar antes da próxima risada. Ficou sabendo que lá no inferno andam vomitando Rivotril.

15 Outubro 2009

QUAL É O SEU LIMITE?

Até onde você suporta a dor? Depois de uns partos posso dizer que suporto muito.
Já superei partida do passado que era inevitável. Ali senti o quanto aguento dor.
Partir a boca pra retirada de um tumor não foi nada fácil, porém, melhor a boca partida que eu partir.
A partida de um voô.
Aquela partida definitiva e seu time indo pra segunda.
Um recebimento que foi repartido em parcelas.
Aquela câmera que custa a partir do muito que você dispõe.
Vontade de ir a qualquer parte.
Vontade de fazer parte.
A horrível parte II de um filme.
Um aparte dramático de quem você devota.
Aparte seu que ninguém se importa.
De tudo que se parte, nada me dói mais que algumas partes de algumas músicas.

08 Outubro 2009

VOCÊS NÃO VALEM NADA

Eu não assisto a novela das nove, não gosto nem desgosto do Manoel Carlos e não sei como é a vilã da trama. Descobri que é interpretada por uma menina de oito anos e por essa razão o Ministério Público notificou o autor e, caso ele desconsidere, possivelmente irão retirar a pequena atriz do ar. Censura. É incrível uma criança não poder ser má, coisa mais chata.
Mas pode colocar conjuntinho cantando porcaria na grade, mulher vagabunda de bunda de fora ensinando anjinhos inocentes a rebolar, Olimpíadas no Rio, o péssimo humor burro do CQC, a BBB do Pânico dançando de mini vestido no Senado, tanta barbaridade que não vou perder mais tempo.
Infiéis fajutos da democracia mascarada.

02 Outubro 2009

FALSA LOIRA

Sempre evitei escrever artigos aqui no Vírgula, intencionalmente, para me poupar. Simples. Caso um dia eu resolva aceitar os convites além blogspot.com, aí enfrentarei a controvérsia e assim deixarei publicar, pronta a disputar questão, inevitaveis discordâncias, me lançarei respeitosamente a quaisquer argumentações e, se eu estiver em um bom dia, talvez analise comentários e críticas. Com sorte, jamais numa segunda-feira, até responderei. Ainda ontem eu preferia o que esse blog pode comprovar: mesmices, irreverência e entretenimento, um todo sem profundidade real em mim. Não que eu me considere uma coca-cola ou pense não ter merecimento da minha densidade quem aqui me lê. É preguiça mesmo.

Mas, como já reiterei acima, pensava assim ontem. Hoje, não só quero vomitar repúdio, como devo - é melhor avisar - usar xingamentos, talvez...

Não! Definitivamente mesmo com motivos. Não irei esbravejar sobre ser uma brasileira inconformada por cediar copa do mundo e olimpíadas sem preparação, sem competência. Viva a corrupção! Foda-se! Prostituíção infantil, analfabetismo, colonização, destruíção amazônica, imposto sem retribuíção, máscara cultural, máfias legalizadas... Leiam o Groeland.

Eu quero vomitar minha revolta ao incentivo a falta de talento. Centenas de exemplos poderiam ser relatados, mas extenso ficaria, esse artigo se revelaria um livro encalhado. O grupo teatral 4 nipes, me tirou de casa semana passada anunciando uma peça teatral sobre os anos 90, em tom de comédia. Quase toda a informação do roteiro citou os anos 2000 e pouco me fez rir. E o desnecessário porvir, mesmo durante, quando desmoralizava algumas pessoas públicas, era simplismente ridículo por não condizer além da falta de relevância. Mas estava lotado. E riram. Acreditem, aplaudiram.

Indo ao ponto pois que está a desandar, quero expurgar - prejulgando sem dó - o Senhor Carlos Reichenbach e todos os seus futuros empreendimentos. Diretor e roteirista do filme Falsa loira, um dos piores que assisti em minha existência. O ódio incontido que me tomou não é somente pelo o péssimo filme, mas pelo desrespeito a mim e a quem se propor a assistir. Finalizando, chego ao ponto que me reteve aqui, uma questão que me tira o sono até agora, 48 horas depois do tormento: como pode algo irremediavelmente abominável a cultura ter o apoio e patrocínio da Petrobrás e outros, enquanto talentos mil continuam recolhidos?

Sem poder evitar, sem esperar respostas, indago a ele:

Ela (personagem principal) é ou não é mal caráter?
O pai dela é icendiário ou não?
Ela sabia estar indo fazer um programa ou foi iludida?
O que cheirou com o travesti era cocaína?
Aquele final onde foi induzido o telespectador sentir pena da coitada foi gozação?
Falsa loira porque era burra ou por pintar o cabelo de loiro?
Onde foi a continuidade?
Quantos dias atravessamos?
Quem era o tal Doutor? Mandante? Bom? Corrupto?


Desculpem, tenho mais duzentas perguntas, porém, paro aqui. Que se dane a Petrobrás.
E o Rio de Janeiro continua lindo, claro. Se não fosse verdade, Caetano moraria na Bahia.


 
©2007 '' Por Elke di Barros